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segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Uma relação delicada

Quem já mergulhou ao lado de um golfinho ou de um boto cor-de-rosa sabe como a convivência com esses animais pode ser fascinante. Inteligentes e brincalhões, eles são capazes de sincronizar seus movimentos com os nossos e estão sempre prontos a se aproximar quando oferecemos comida. A amizade entre o homem e esses mamíferos aquáticos, porém, apesar de bastante antiga, exige cuidados. Até porque ela se apresenta das formas mais diferentes.

Desde que algumas espécies começaram a ser capturadas para apresentações em cativeiro, pudemos aprender um pouco mais sobre a biologia e o comportamento desses animais. A observação de baleias e golfinhos em seu ambiente natural se populariza cada vez mais, e muitos países incentivam o mergulho, a natação e até mesmo a alimentação desses mamíferos como forma de educação ambiental. Há ainda programas de interação com golfinhos com resultados animadores na reabilitação de crianças portadoras de surdez, síndrome de Down e autismo.

No Brasil, a parceria mais tradicional entre homem e golfinho acontece em Laguna, Santa Catarina. Os golfinhos-nariz-de-garrafa ajudam a espantar os cardumes na direção das redes dos pescadores locais, garantindo para si os peixes que sobram. Mas também já registramos episódios lamentáveis, como a do golfinho que matou acidentalmente um banhista em São Sebastião (SP), ao reagir a uma brincadeira de total mau-gosto – a introdução de um palito de sorvete em seu orifício respiratório. Por essas e outras, o mergulho com os golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha foi proibido alguns anos atrás. Nem por isso eles deixaram de ser uma das grandes atrações do arquipélago, podendo ser vistos em grupos entrando e saindo de seu refúgio natural, a Baía dos Golfinhos, ou fazendo acrobacias à passagem dos barcos.

Para parte da comunidade científica, o grande problema entre a interação homem-mamíferos aquáticos está na falta de informação que chega à maioria das pessoas. Muitos abusam da oportunidade de estar perto de um animal gracioso e acabam tomando atitudes inadequadas. Carinhos excessivos, brincadeiras inadequadas e até alimentação dos animais com produtos inusitados são muito freqüentes. A dependência do animal com relação ao alimento dado pelo homem, principalmente no caso de filhotes, também é preocupante. Mudanças no comportamento natural dos animais são características. Alguns indivíduos param de capturar suas presas, por ser mais fácil recebê-las na boca, e se arriscam a morrer de inanição. Muitos indivíduos ficam vulneráveis com relação a sua captura.

Não faltam exemplos de que a interação do homem com qualquer animal – na natureza ou em cativeiro – pode ser benéfica a todos. Mas é preciso realizá-la com responsabilidade e respeito aos limites dos animais.

Daniela Pivari
* Bióloga e Mestre em Ecologia e Bioacústica de Golfinhos

Publicado na Revista Caminhos da Terra, número 178, fevereiro de 2006

2 Comments:

At 4:34 PM, Anonymous Anônimo said...

nossa..... ta podendo, hein!
Fodona, vc hein!

 
At 4:34 PM, Anonymous Anônimo said...

ah... o comentario anterior foi meu...
Beijos, Me

 

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